Tarifas dos EUA afetam preço de gasolina e produtos petroquímicos, alerta BTG, com impacto na inflação.

Tarifas dos EUA afetam preço de gasolina e produtos petroquímicos, alerta BTG, com impacto na inflação.

Tarifas de Reciprocidade e o Impacto Inflacionário nos Combustíveis

O mercado de combustíveis no Brasil se encontra em uma encruzilhada crítica, com a possível implementação da Lei de Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo um relatório recente do BTG Pactual, assinado pelos analistas Luiz Carvalho e Gustavo Cunha, essa medida pode desencadear uma pressão inflacionária significativa no setor. A análise aponta para o diesel como o principal afetado, considerando a forte dependência do Brasil em relação aos derivados importados dos EUA.

A complexidade da situação reside no fato de que os Estados Unidos são um dos maiores fornecedores de derivados de petróleo para o Brasil. Impor tarifas retaliatórias, conforme previsto na Lei de Reciprocidade, pode elevar substancialmente os custos de importação. Essa elevação não apenas impactaria os preços diretos ao consumidor, mas também diminuiria a competitividade das empresas brasileiras no setor de combustíveis, criando um cenário desafiador para a economia nacional.

A Resposta Brasileira e as Alternativas de Abastecimento

Em resposta às tarifas de 50% anunciadas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a importação de produtos brasileiros, o presidente Lula (PT) declarou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da lei brasileira de reciprocidade econômica”. Essa postura, embora compreensível em termos de defesa dos interesses nacionais, pode ter consequências complexas para o mercado interno.

O relatório do BTG Pactual destaca que, ao retaliar com tarifas, o Brasil pode ser forçado a buscar alternativas de fornecimento de derivados de petróleo. A Europa e a Índia surgem como potenciais parceiros, mas com um custo logístico e operacional mais elevado. Outra opção seria aumentar as importações da Rússia, porém, essa alternativa apresenta riscos consideráveis devido às sanções internacionais impostas ao país, o que pode gerar instabilidade no mercado global e, consequentemente, nos preços.

Impacto na Cadeia Petroquímica Brasileira

A potencial escalada nas tarifas não se limita apenas ao setor de combustíveis; a cadeia petroquímica brasileira também pode sofrer um impacto significativo. O Brasil já enfrenta um déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial desse setor com os Estados Unidos, indicando uma dependência considerável das importações de produtos petroquímicos americanos.

Em 2024, as exportações de produtos petroquímicos dos EUA para o Brasil totalizaram US$ 10,4 bilhões, com destaque para o polietileno. A imposição de tarifas de reciprocidade pode dificultar o acesso a esses produtos essenciais para a indústria brasileira, elevando os custos de produção e afetando a competitividade de diversos setores que dependem da petroquímica como matéria-prima.

A Dependência do Polietileno Americano e a Busca por Alternativas

O grau de dependência do Brasil em relação ao polietileno importado dos Estados Unidos é alarmante: 77% das importações brasileiras desse produto em 2024 tiveram origem no país norte-americano. Essa alta concentração em um único fornecedor torna o Brasil particularmente vulnerável a qualquer medida que restrinja ou encareça o acesso ao polietileno americano.

Encontrar fornecedores alternativos para o polietileno não será uma tarefa fácil. Os analistas do BTG Pactual alertam que os supridores na Ásia e no Oriente Médio enfrentam dificuldades logísticas e comerciais, o que pode impedir que eles preencham a lacuna deixada pelos Estados Unidos. Essa limitação na oferta pode levar a um aumento nos preços e prejudicar a indústria brasileira, que utiliza o polietileno em uma vasta gama de aplicações, desde embalagens até produtos automotivos.

Cenários de Inflação e a Necessidade de Diálogo

Diante desse cenário complexo, a principal preocupação é o potencial aumento da pressão inflacionária. Se o Brasil implementar tarifas retaliatórias sob a Lei de Reciprocidade Econômica, o impacto nas cadeias de suprimentos nacionais poderá ser significativo, elevando os custos em toda a cadeia de refino e distribuição de combustíveis e produtos petroquímicos. Esse aumento de custos, inevitavelmente, será repassado ao consumidor final, agravando a inflação em um momento em que o país já enfrenta desafios econômicos.

O próprio BTG Pactual adverte que o Brasil opera com um déficit estrutural em produtos refinados, o que agrava ainda mais a situação. A imposição de tarifas pode exacerbar esse déficit, forçando o país a importar ainda mais derivados de outros fornecedores, com custos mais elevados. A solução para evitar um cenário inflacionário descontrolado passa, necessariamente, pelo diálogo e pela busca de soluções negociadas que minimizem os impactos negativos para ambos os países.

Futuras Perspectivas

Apesar do cenário de incerteza, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que vê espaço para negociações com os Estados Unidos, mencionando as respostas do Secretário do Tesouro americano ao governo brasileiro durante as discussões sobre as tarifas anteriores. Essa abertura para o diálogo é um sinal positivo, indicando que o governo brasileiro está disposto a buscar uma solução que evite uma escalada nas tensões comerciais.

A complexidade da situação exige uma análise cuidadosa dos custos e benefícios da Lei de Reciprocidade Econômica. É fundamental que o governo brasileiro avalie todas as alternativas disponíveis, buscando soluções que protejam a indústria nacional e evitem um aumento da inflação. O diálogo com os Estados Unidos é essencial para encontrar um terreno comum e evitar medidas que possam prejudicar a economia de ambos os países.





Última atualização em 16 de julho de 2025

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