Para garantir qualidade e repetibilidade na flexografia, padronize insumos e controle a viscosidade em laboratório; valide a ancoragem com tratamento corona e teste de dyne; gerencie cor com espectrofotômetro, Delta E e cabines de luz; antecipe ajustes com hand proofer, inspecione clichês e confirme dureza Shore A; e, no pós-impressão, monitore COF, abrasão e selagem, além de resíduos de solventes e segurança.
Flexografia sem dor de cabeça? Dá para cortar setup, refugo e retrabalho escolhendo bem o laboratório. Quer saber quais equipamentos realmente fazem diferença — e por quê? Vem comigo, rapidinho.
Por onde começar: padronização de insumos e controle de viscosidade
Padronize insumos antes de ligar a impressora. Isso reduz variação e retrabalho. Comece pelo básico e documente tudo.
Padronização de insumos
- Use fornecedores aprovados e fichas técnicas atualizadas. Sem surpresa de lote.
- Confira lote, validade e cor ao receber tintas e solventes.
- Guarde por FIFO e em temperatura estável. Evite calor e sol.
- Limpe o substrato e valide a energia superficial. Anote o dyne.
- Defina padrões de trabalho por cor, anilox e substrato.
Preparo e mistura da tinta
- Traga tinta e solvente à temperatura-alvo do seu padrão.
- Homogeneíze devagar. Evite espuma. Filtre com tela limpa.
- Faça pré-teste de compatibilidade entre lotes. Sem atalhos.
- Separe uma amostra inicial para controle. Rotule com data e lote.
Controle de viscosidade
Viscosidade é a “espessura” da tinta. Ela afeta fluxo e ganho de ponto.
- Meça com copo Zahn ou Ford. É o tempo de escoamento.
- Se tiver, valide com viscosímetro de rotação. Dá leitura contínua.
- Padronize o copo, o método e a temperatura. Sempre iguais.
- Ajuste com solvente em pequenas adições. Misture e meça de novo.
- Repita a medição após breve repouso. Evaporação engana.
Para tinta base água, monitore o pH. Ele impacta brilho e ancoragem. Corrija com aditivo adequado.
Monitoramento durante a impressão
- Reverifique viscosidade em intervalos regulares. Anote cada ajuste.
- Controle a temperatura do ambiente e da tinta.
- Use solvente mais lento se houver muita evaporação.
- Troque copos gastos. Limpe bem após cada uso.
- Não misture retorno sujo ao balde principal. Filtre antes.
Registro e rastreabilidade
- Mantenha planilha com lote, copo, tempo, temperatura e operador.
- Relacione anilox, pressão e velocidade com a faixa de viscosidade.
- Fotografe a prova e anexe ao registro. Facilita repetir o acerto.
- Crie padrões por família de cores e substratos. Atualize sempre.
Tratamento superficial: corona, teste de dyne e ancoragem da tinta
Tratamento superficial prepara filmes plásticos para receber tinta. Sem isso, a ancoragem falha. Meça, ajuste e documente cada etapa.
Como funciona o corona
- Descargas elétricas elevam a energia superficial do filme. A tinta espalha melhor.
- Ajuste potência e velocidade da linha. Alvo é ganho estável de dyne.
- Limpe eletrodos e rolo terra. Sujeira cria faíscas e áreas sem tratamento.
- Evite tratar o verso sem necessidade. Marque qual lado recebeu corona.
- Use exaustão. O ozônio precisa sair para manter o processo seguro.
Teste de dyne na prática
Dyne é a medida da energia da superfície. Mais dyne, melhor molhamento.
- Use canetas de dyne ou tintas de teste. Aplique traço curto e uniforme.
- Observe por 2 segundos. Se o traço retrai, o dyne está abaixo.
- Se o traço ficar estável, o nível é igual ou maior que o indicado.
- Para BOPP e PE, busque 38–42 dyn/cm. Anote antes e depois do corona.
- Teste pontos diferentes do rolo. Variedade indica ajuste ou manutenção.
Ancoragem da tinta
- Energia do filme deve superar a tensão superficial da tinta.
- Equilibre solvente e resina. Evaporação rápida demais piora a adesão.
- Faça teste de fita após secagem padrão. Observe qualquer descascamento.
- Faça rub test leve com algodão e solvente. Procure manchas.
- Se faltar ancoragem, avalie primer ou retome o tratamento.
Variáveis que afetam o resultado
- Tempo pós-tratamento: dyne cai com as horas. Trate o mais perto da impressão.
- Aditivos do filme, como slip, migram e derrubam o dyne.
- Umidade e temperatura mudam leitura e desempenho. Padronize o ambiente.
- Contaminação por óleo ou pó derruba o molhamento. Limpe o substrato.
- Substratos diferentes pedem faixas de dyne diferentes. Crie tabelas.
Boas práticas e segurança
- Calibre canetas de dyne e descarte vencidas. Evite falsos resultados.
- Registre dyne, potência, velocidade e lote. Garanta rastreabilidade.
- Cheque os dois lados do filme. Imprima no lado correto.
- Mantenha a exaustão do ozônio ativa e verificada.
- Treine a equipe. Um teste simples bem feito evita grandes perdas.
Gestão de cor moderna: espectrofotômetro, Delta E e cabines de luz
A gestão de cor moderna garante repetibilidade e aprovações mais rápidas na flexografia. Use espectrofotômetro, Delta E e cabine de luz padronizados.
Medição com espectrofotômetro
- Calibre no azulejo branco antes de medir. Repita após quedas ou variações.
- Defina a condição de medição. Mantenha igual para todos os trabalhos.
- Use máscara de leitura para áreas pequenas. Evita luz externa.
- Faça três leituras por ponto e calcule a média. Gera confiança.
- Salve dados L*a*b* e espectrais. Eles ajudam na análise depois.
- Para filme, use fundo padronizado. Evita interferência do suporte.
- Limpe a janela do sensor. Poeira altera o resultado sem você notar.
Delta E na prática
Delta E mostra a diferença de cor entre padrão e amostra. Quanto menor, melhor.
- Dê preferência ao ΔE00. Ele reflete melhor o que o olho vê.
- Use tolerâncias claras. 2,0 para cores spot e 3,0 para CMYK.
- Acompanhe também ΔH e ΔC. São variações de tom e saturação.
- Meça sempre nas mesmas condições. Mudanças de método distorcem números.
- Analise tendência ao longo do lote. Ajuste concentração e viscosidade cedo.
Cabines de luz
- Use cabine com D50, D65 e TL84. Isso revela metamerismo.
- Espere o aquecimento das lâmpadas. A cor estabiliza após alguns minutos.
- Mantenha paredes em cinza neutro. Evite reflexos coloridos no teste.
- Defina distância e ângulo de visão. Padronização melhora a repetição.
- Troque lâmpadas no prazo. Luz velha engana a avaliação visual.
Fluxo de trabalho de cor
- Crie padrões mestre: Pantone, amostras do cliente e referências internas.
- Imprima cartões padrão nas mesmas condições. Guarde com rastreabilidade.
- Integre o espectrofotômetro ao software de qualidade. Gera relatórios rápidos.
- Compartilhe ΔE e espectro com o laboratório de tintas. Ajustes ficam precisos.
- Use hand proofer para provas rápidas. Valide antes da partida.
Boas práticas rápidas
- Calibre o instrumento diariamente. É hábito simples e salva o turno.
- Controle temperatura e umidade do laboratório. A cor muda com o clima.
- Evite tocar no alvo impresso. Gordura de dedos altera leituras.
- Registre lote, anilox, velocidade e tinta. Dados facilitam repetir o acerto.
- Mantenha um único método para todos. Consistência reduz discussões e retrabalhos.
Antes da impressão: hand proofers, análise de clichês e dureza Shore A
Antes de imprimir, valide no laboratório. O hand proofer antecipa ajustes e reduz refugo.
Hand proofers na prática
- Prove a tinta no mesmo substrato da produção. Simule condições reais.
- Escolha rolos equivalentes ao anilox da máquina. Volume de células próximo.
- Ajuste pressão do proofer até cobertura uniforme. Não esmague o ponto.
- Avalie cor, ganho de ponto e secagem. Compare com o padrão do cliente.
- Se possível, pese a prova para força de cor. Controle a concentração.
Análise de clichês
- Inspecione com microscópio 50–200x. Procure sujeira, riscos e inchamento.
- Meça altura de relevo e ombro. Relevo baixo perde definição cedo.
- Verifique ponto mínimo e forma do ponto. Evite topo achatado.
- Confira alinhamento e fundo sem rebaba. Bordas limpas reduzem ganho.
- Condicione placas após gravação no tempo indicado. Evita variação dimensional.
- Limpe com solução do fabricante. Solvente agressivo danifica o polímero.
Dureza Shore A: placas, fitas e rolos
- Meça com durometro Shore A. Pressione reto e aguarde um segundo.
- Faça três leituras por área e tire a média. Repita em pontos distintos.
- Placas mais duras seguram texto fino. Placas mais macias perdoam substratos críticos.
- Escolha fita de montagem pela compressibilidade. Dura para traço, macia para retícula.
- Revise dureza do rolo de borracha periodicamente. Desgaste muda a impressão.
Montagem e setup rápido
- Marque clichês com referência e posição. Facilita o registro na máquina.
- Use cilindro limpo e régua de paralelismo. Poeira cria vibração e falhas.
- Aplique fita sem bolhas e sem tensão. Utilize rolete para pressão uniforme.
- Ajuste a pressão mínima em prova seca. Depois aplique tinta e reavalie.
Rastreabilidade e controle
- Registre proofer, rolos e pressão usados. Documente cada variação.
- Anote dureza, lote do clichê e da fita. Apoia correções futuras.
- Fotografe a prova com escala e luz padrão. Guarde no histórico de cor.
Performance pós-impressão e segurança: COF, abrasão, selagem e solventes
O desempenho pós-impressão decide a experiência do cliente na linha. Teste, ajuste e deixe tudo rastreável.
COF: deslizamento e empilhamento
- COF é o quanto o filme desliza. Baixo desliza mais, alto trava.
- Meça estático e dinâmico. Eles afetam empilhamento e velocidade de máquina.
- Busque faixas típicas de 0,25 a 0,45. Ajuste ao seu processo.
- Use verniz ou aditivo de slip para calibrar o COF.
- Controle umidade e pó. Contaminação altera leitura e causa variação.
Abrasão e risco de manchas
- Faça rub test com tecido padronizado. Conte ciclos até falha.
- Avalie scuff e risco de risco. Simule atrito de transporte.
- Aplique verniz OPV quando a arte exigir alta resistência.
- Garanta secagem completa. Tinta mole mancha e marca fácil.
- Evite empilhar quente. Bloqueio ocorre e a tinta transfere.
Selagem térmica e hot tack
- Ajuste temperatura, pressão e tempo. Eles definem a janela de selagem.
- Meça a força de peel. Ela mostra a qualidade da solda.
- Verifique SIT, a temperatura de início de selagem.
- Teste hot tack. A força no quente impacta linhas rápidas.
- Evite tinta na área de selo. Deixe uma janela limpa.
Solventes: desempenho e segurança
- Balanceie solventes rápidos e lentos. Evaporação afeta selagem e COF.
- Cheque resíduo de solvente. Muito resíduo gera odor e bloqueio.
- Mantenha exaustão ativa e ambiente ventilado. Segurança vem primeiro.
- Aterre tambores e linhas. Evite faíscas por estática.
- Use EPI: luvas de nitrilo, óculos e avental antiestático.
Registro e controle contínuo
- Registre COF, força de selo e ciclos de abrasão por lote.
- Relacione parâmetros de secagem e viscosidade com os resultados.
- Guarde amostras padrão com data e condições de teste.
- Monitore temperatura e umidade da sala. Estabilidade reduz variação.
Última atualização em 26 de janeiro de 2026

