De acordo com o Estudo Anual sobre Reciclagem de Plásticos no Brasil, realizado pelo MPT (Movimento Plástico Transforma) e divulgado com exclusividade pela EXAME, 28% das embalagens plásticas foram encaminhadas para reciclagem e retornaram à indústria em 2023.
A queda nos preços das commodities petroquímicas em 2023 tornou os plásticos de primeiro uso mais atraentes que os reciclados, tanto no Brasil quanto no exterior. Assim, impactando o crescimento da indústria de reciclagem que vinha apresentando resultados mais positivos nos últimos anos.
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Nesse sentido, ao todo, 1,4 milhão de toneladas de plásticos seguiram para reciclagem no Brasil. Sendo que, 68% representam embalagens e 23% vêm de resíduos pós-industriais.
Houve uma queda na produtividade das cooperativas, impulsionada pela diminuição da força de trabalho, conforme apontado no estudo. A baixa valorização da reciclagem e os salários reduzidos explicam essa tendência. Com isso, resultando em uma menor porcentagem de produtos reciclados provenientes das cooperativas.
Enquanto isso, aproximadamente 30% dos materiais reciclados vieram dos sucateiros, já 19% foram fornecidos pelos beneficiadores, 13% pelas empresas de gestão de resíduos e apenas 11% pelas cooperativas.
Os catadores independentes e aterros, por sua vez, contribuíram com 1% cada, e as fontes geradoras retornaram 2% do total de plásticos coletados.
Panorama do Setor de Reciclagem de Plásticos no Brasil
No ano passado, cerca de 940 mil toneladas de resinas recicladas pós-consumo foram produzidas a partir do material coletado. O maior consumidor foi o setor de alimentos e bebidas, com 16%, seguido por construção civil e infraestrutura, com 13%.
Os segmentos de higiene pessoal, cosméticos e limpeza doméstica (12%), utilidades domésticas (8%) e automotivo (7%) também tiveram participação relevante.
Desafios Enfrentados pelas Cooperativas de Reciclagem
Uma das principais barreiras enfrentadas pelas cooperativas de reciclagem no Brasil é a desvalorização do trabalho de reciclagem. Com salários baixos e pouca infraestrutura, esses grupos têm visto suas operações estagnarem.
A força de trabalho diminuiu, o que resultou em menores volumes de reciclagem. Sem incentivos adequados, a capacidade dessas cooperativas em captar materiais recicláveis também foi reduzida, o que afeta diretamente a produtividade do setor.
Importância da Participação das Indústrias no Ciclo de Reciclagem
As indústrias desempenham um papel crucial na reciclagem de plásticos. Com grandes volumes de resíduos pós-industriais, sua participação ativa no ciclo de reciclagem pode aumentar significativamente a quantidade de plásticos reciclados.
Investimentos em tecnologias e processos de reciclagem eficientes podem turbinar as taxas de recuperação e reutilização de materiais. Essa parceria entre indústrias e iniciativas de reciclagem é vital para criar um sistema mais sustentável.
Impacto dos Preços de Commodities na Reciclagem
Os preços das commodities petroquímicas influenciam diretamente o mercado de plásticos reciclados. Em 2023, a queda nos preços dos plásticos virgens tornou esses materiais mais competitivos em relação aos reciclados.
Embora a reciclagem seja uma prática ecologicamente responsável, as vantagens econômicas dos plásticos virgens podem desestimular o uso de materiais reciclados. É um desafio balancear o custo e o benefício ambiental no mercado.
Explorando Soluções Inovadoras para Incentivar a Reciclagem
Para impulsionar a reciclagem de embalagens plásticas, é essencial explorar soluções inovadoras. Incentivos econômicos, regulamentação governamental e conscientização pública podem criar um ambiente mais favorável para o uso de plásticos reciclados.
Iniciativas que integram tecnologia na coleta e processamento de plásticos também têm o potencial de aumentar a eficiência da reciclagem. Aplicativos de gestão de resíduos e sistemas automatizados de triagem são exemplos de como a tecnologia pode transformar práticas tradicionais.
Panorama Regional da Reciclagem de Plásticos
A reciclagem de plásticos no Brasil varia bastante entre as regiões. O Sudeste se destaca, seguido de perto pelo Sul. No entanto, o Norte enfrenta desafios significativos com volumes consideravelmente menores de reciclagem.
Essas disparidades regionais demandam soluções customizadas. Quais políticas poderiam ser implementadas para equilibrar as taxas de reciclagem entre diferentes áreas do país? A resposta pode estar em estratégias regionais de investimento e educação sobre reciclagem.
O Futuro da Reciclagem de Plásticos: O Que Esperar?
Olhar para o futuro da reciclagem de plásticos no Brasil exige uma compreensão dos desafios atuais e a busca por novas estratégias. A sustentabilidade da indústria depende da sinergia entre políticas públicas, inovação e a vontade coletiva de consumidores e empresas.
O incentivo a práticas de reciclagem mais eficientes e a promoção do uso de materiais reciclados não são apenas benéficos para o meio ambiente, mas também podem abrir portas para novas oportunidades econômicas no setor. Isso demanda ações coordenadas e cooperação global.
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Última atualização em 7 de dezembro de 2024