Governo dos EUA Vê Infiltração Estrangeira Como Ameaça e Bloqueia Atuação de Imigrantes no Campo
O governo dos Estados Unidos, sob a política “Make America Great Again” do presidente Donald Trump, anunciou a inclusão da agricultura como um elemento-chave de segurança nacional. O Departamento de Agricultura (USDA) publicou um plano que prevê mudanças em critérios de incentivo à pesquisa e apoio a programas de assistência, além de restringir a atuação de estrangeiros na agropecuária do país. Esta decisão é uma resposta às alegações de infiltração estrangeira que ameaçariam a segurança alimentar e a integridade das operações agrícolas americanas.
Em comunicado oficial, o USDA justificou a medida citando “eventos recentes” que, segundo a pasta, colocaram a agricultura do país “sob ameaça urgente” de “adversários estrangeiros”. O departamento acusa esses inimigos de atuarem a longo prazo, “infiltrando-se em nossas pesquisas, comprando nossas terras agrícolas, roubando nossa tecnologia e lançando ataques cibernéticos contra nossos sistemas alimentares”. Um exemplo alarmante mencionado foi uma suposta tentativa de contrabando para os EUA de um fungo capaz de causar bilhões em perdas agrícolas, envolvendo um laboratório americano e um indivíduo associado ao Partido Comunista Chinês.
Imigração e Força de Trabalho
A chefe do USDA, Brooke Rollins, enfatizou que “não haverá anistia” para trabalhadores agrícolas, sublinhando que o governo está adotando medidas rigorosas para deportar imigrantes ilegais. A visão é de formar uma força de trabalho 100% americana, sugerindo que trabalhadores que recebem assistência do governo poderiam assumir o lugar de imigrantes. “Em última análise, a resposta para isso é a automação, e também alguma reforma na estrutura de governança atual”, disse Rollins.
Apesar da visão otimista, o setor agrícola adverte que a deportação em massa de trabalhadores rurais poderá interromper severamente a cadeia de fornecimento de alimentos nos EUA. Em junho, o governo Trump havia sinalizado a suspensão de operações em locais de trabalho agrícolas, mas a decisão foi revertida rapidamente. Além disso, o projeto de lei de corte de impostos e gastos introduziu requisitos de trabalho para o Medicaid, o que poderá afetar 12 milhões de pessoas, gerando uma preocupação adicional na força de trabalho agrícola.
Restrições à Propriedade Estrangeira de Terras Agrícolas
Rollins anunciou que o USDA implementará restrições rigorosas sobre a aquisição de terras agrícolas por “adversários estrangeiros”, particularmente a China. Além disso, contratos com entidades desses países estarão sob revisão. A questão das terras já adquiridas por empresas como Syngenta e Smithfield Foods está em análise, com a possibilidade de uma ordem executiva a ser emitida pela Casa Branca em breve. As medidas estaduais já estão definidas, com 26 estados limitando a propriedade estrangeira de terras agrícolas.
Desde 2023, o Arkansas exigiu que a Syngenta vendesse 160 acres devido a legislações locais que restringem a aquisição de terras por certas entidades estrangeiras. É interessante notar que, embora apenas cerca de 3,4% das terras agrícolas dos EUA pertençam a entidades estrangeiras, o Canadá possui a maior parte dessa propriedade, representando cerca de 30% total.
Impactos no Setor Agrícola
Essas mudanças políticas ocorrem em um momento crítico para a agricultura americana, que já enfrenta desafios significativos. Os produtores aguardam um cenário de incertezas sobre a força de trabalho disponível, especialmente se forem realizadas deportações em massa. A escassez de mão de obra já é uma preocupação antiga, e as novas restrições apenas agravam a situação. O aumento da automação é uma promessa, mas será que isso realmente suprirá a necessidade imediata de trabalhadores nas colheitas?
Além disso, a possibilidade de restrições severas à propriedade estrangeira poderá reduzir investimentos necessários para inovação no setor. A agricultura está em constante evolução, e contar com tecnologia avançada é fundamental para manter a competitividade no mercado global. Como será o equilíbrio entre segurança nacional e a necessidade de investimentos estrangeiros?
Reação da Indústria e da Sociedade Civil
A reação da indústria agrícola tem sido de preocupação, com alertas sobre a possibilidade de escassez de alimentos e o aumento dos preços caso a força de trabalho legal diminua drasticamente. Organizações agrícolas temem que o foco excessivo na segurança nacional possa desviar a atenção de medidas necessárias para apoiar produtores, como subsídios e acesso a tecnologia.
Do lado da sociedade civil, ativistas e defensores dos direitos dos imigrantes levantam suas vozes contra o que veem como uma política hostil. Eles argumentam que a agricultura americana sempre dependia da mão de obra imigrante, e a exclusão desses trabalhadores pode trazer danos não apenas ao setor, mas também à economia como um todo. Isso levanta uma questão moral: até que ponto devemos priorizar a segurança nacional em detrimento do bem-estar econômico e social?
Uma Abordagem Estratégica para o Setor
É fundamental que o governo encontre um equilíbrio. A integração de uma força de trabalho legal e à resolução dos problemas de imigração deve ser uma prioridade, juntamente com a segurança nacional. A automação pode oferecer uma solução de longo prazo, mas a realidade atual exige uma abordagem mais imediata. Investir em programas de treinamento para a força de trabalho local é uma alternativa viável que pode gerar resultados positivos a curto prazo.
A colaboração entre organismos governamentais, o setor privado e as comunidades é essencial para desenvolver estratégias que promovam a segurança alimentar sem comprometer a integridade das operações agrícolas. O diálogo aberto pode permitir que todas as partes interessadas trabalhem juntas em direção a uma solução sustentável.
Futuras Perspectivas
À medida que o governo avança com sua estratégia, o futuro da agricultura nos EUA pode estar em uma encruzilhada. Se as políticas implementadas forem bem-sucedidas, poderá haver uma nova era de segurança agrícola que não apenas proteja os interesses nacionais, mas também promova um setor agrícola robusto e lucrativo. No entanto, a aplicação rigorosa de restrições à imigração e à propriedade estrangeira deve ser monitorada de perto para evitar repercussões negativas.
A adoção de uma estratégia de segurança agrícola que balanceie a proteção nacional e a necessidade do setor será um desafio contínuo. As decisões tomadas neste momento moldarão a paisagem agrícola e a relação dos EUA com seus trabalhadores imigrantes e parceiros estrangeiros nos próximos anos. O caminho a seguir exigirá tanto firmeza nas políticas de segurança como uma visão aberta para inovações e colaborações que ajudem a garantir um futuro próspero para a agricultura americana.
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Última atualização em 14 de julho de 2025