Rastreabilidade Bovina no Pará: A Aliança Inovadora que Protege o Meio Ambiente e Fortalece a Economia Local

Parceria e Cooperação: A Base da Rastreabilidade Bovina no Pará

No coração da Amazônia, surge uma iniciativa transformadora que une governo, setor privado e sociedade civil para implementar a rastreabilidade bovina no Pará. Com o segundo maior rebanho do país, o estado contabiliza mais de 24,84 milhões de cabeças distribuídas por cerca de 165,9 mil propriedades. Esse cenário impõe desafios e oportunidades na busca por um manejo mais sustentável e transparente da pecuária.

Essa parceria, envolvendo a Masterboi, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e o Imaflora, visa a identificação individual de 100 mil cabeças de gado em São Geraldo do Araguaia até o final do ano. A iniciativa não é simplesmente sobre rastrear, mas também representando um marco na gestão e conformidade da cadeia de fornecimento de carne, impulsionando o estado a um nível inovador de sustentabilidade e qualidade.

O Projeto Piloto e suas Metas Ambiciosas

Nos dias 18 e 19 de fevereiro, 100 pecuaristas locais participaram de um evento onde foram apresentados os detalhes do projeto piloto para a adesão ao Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA). O sistema, operacional desde setembro, busca identificar cada animal nascido ou em trânsito no território paraense, trazendo clareza e responsabilidade ao processo.

O evento, batizado de “Rastreabilidade Individual como Ferramenta de Gestão e Conformidade”, foi um misto de conhecimento teórico e prática de campo, destacando-se pelo impacto direto que já está gerando: a identificação de 100 mil cabeças na região ainda neste ano. Esse passo é crucial para alcançar a meta de rastreabilidade total do rebanho até 2026, uma das diretrizes do Programa Estadual de Pecuária Sustentável do Pará.

Benefícios da Identificação Individual

A implantação dos brincos, um eletrônico e outro visual, em cada animal não é apenas um marco visual. Estes dispositivos permitem o armazenamento de dados essenciais que elevam a eficiência na gestão de pastagens e do rebanho. As melhorias incluem desde o manejo genético reprodutivo até uma redução nos custos de mão de obra, aumentando a competitividade dos produtos paraenses no mercado internacional.

Essa prática também garante agilidade na identificação e controle de surtos sanitários, assegurando transparência para a cadeia produtiva da carne e couro. Com mercados internacionais cada vez mais atentos à qualidade e origem dos produtos, os pecuaristas que adotarem essas práticas estão bem posicionados para captar essas oportunidades.

Apoio Institucional e Ferramentas Inovadoras

A execução do projeto piloto não seria possível sem a colaboração de entidades como a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado (Semas) e a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). Estas instituições, junto com recursos do programa Al-Invest Verde e do Fundo Bezos, têm fornecido suporte técnico e financeiro crucial para a implementação da rastreabilidade.

No campo tecnológico, ferramentas como o Programa de Monitoramento de Indiretos (PRIMI) e Conecta são destaque. O PRIMI integra análises socioambientais à rastreabilidade individual, enquanto o Conecta apoia na gestão e conformidade das propriedades, conectando as informações dos brincos eletrônicos aos dispositivos móveis dos produtores.

Desafios e Oportunidades no Caminho para 2026

O avanço na rastreabilidade bovina no Pará não está isento de desafios. O principal, como aponta Marina Guyot, gerente de Políticas Públicas do Imaflora, é o engajamento dos produtores rurais. Irregularidades ambientais nas propriedades são uma realidade, mas o marco da rastreabilidade traz incentivos e políticas inclusivas que podem facilitar essa transição.

Nesse aspecto, a política paraense avança com capacitação, incentivos para implementação e o princípio de não-exclusão. A participação no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o isolamento da área desmatada para regeneração são passos fundamentais para aqueles que ainda estão se adaptando às novas exigências.

Papel Crucial da Sociedade Civil e do Setor Privado

A contribuição da sociedade civil, representada pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, e do setor privado, através do frigorífico Masterboi, tem sido essencial para este projeto. Como destacou Miguel Zaidan, diretor da Masterboi, esta aliança estratégica é a chave para o desenvolvimento de uma pecuária mais sustentável no Pará.

Essa cooperação multissetorial não apenas facilita a implementação da rastreabilidade, mas também reforça a importância de uma visão holística e integrada na gestão das cadeias produtivas. Sem o envolvimento dos produtores e das ONGs, avançar em direção a uma pecuária mais verde seria uma tarefa muito mais árdua.

Impacto Nacional e Perspectivas Futuras

Em uma escala mais ampla, o sucesso do projeto piloto no Pará pode servir de modelo para outras regiões do Brasil, onde iniciativas similares estão se moldando. O Plano Nacional de Identificação de Bovinos e Búfalos e a plataforma AgroBrasil +Sustentável são sinais do governo federal em avançar para a universalidade da rastreabilidade pecuária.

O caminho é promissor, mas requer uma contínua colaboração entre todos os atores envolvidos. A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), a ser realizada em Belém, representa uma oportunidade crucial para destacar esses esforços e consolidar o Pará como referência mundial em pecuária sustentável. A jornada até uma rastreabilidade completa é desafiadora, mas absolutamente necessária para garantir a integridade e competitividade do setor pecuário brasileiro no futuro.


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Última atualização em 24 de março de 2025

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